Essa é a nossa tentativa de instruir você, querido amigo, que gosta de bandas independentes, sobre a origem do som destes grupos que você ouve diariamente. Comentaremos sobre os principais selos indies, citando fatos históricos, influências de cada uma, assim como a importância destas gravadoras para a música atual.
VAMOS LÁ…
Lá em 1978, Geoff Travis resolveu abrir uma loja de discos, na zona oeste de Londres, mais exatamente na Kensington Park Road, e começou a vender demais. Impulsionado por álbuns como os do Buzzcocks e Desperate Bicycles, o negócio foi crescendo cada vez mais até Travis parar, respirar e pensar que poderia fazer mais que isso, poderia ser mais que um lojista/varejista, poderia fazer história.
Por que não ajudar bandas independentes na produção/gravação de novos discos? A Rough Trade (versão gravadora) começou produzindo bandas como Scritti Politti e logo se tornou uma referência no meio musical britânico. Gravações foram sendo feitas, elogios foram sendo recebidos da crítica, mas nem tudo são flores na vida de Joseph Climber. O tempo foi passando, a Rough Trade conseguiu se endividar mesmo com esse sucesso/buzz todo e Geoff teve que fechar as portas.
Isso foi ocasionado em função de novos selos que estavam surgindo na época, interessados no case de sucesso da Rough, resolveram seguir os passos e formaram um time de selos independentes. Não preparada para concorrência, a gravadora faliu. Além deste boom de selos, há a ~teoria da conspiração~, de que algumas leis foram criadas para este mercado musical da época, o que acabou influenciando também no fechamento da RT.
Nota: O cenário da música indie estourou no mundo todo a partir dos 90s quando a crise fonográfica forçou as grandes empresas a reduzir seus custos e cancelar contratos com artistas ao mesmo tempo que os equipamentos de gravação musical se barateavam permitindo que um número maior de pequenas empresas pudessem lançar discos com baixo custo de produção.

Eis que no final dos malditos (ou não) 90s para as gravadoras, Travis resolveu botar a cara a tapa e ressuscitar o selo, só que dessa vez com alguns parceiros. Voltaram lançando grandes nomes da atualidade, como Strokes e Libertines, atraindo todos os olhares da mídia novamente.
Atualmente o projeto destes britânicos é uma das mais influentes gravadoras do Reino Unido, com uma vasta lista de bandas/artistas na carta, veja alguns belos nomes: Arcade Fire, Belle & Sebastian, The Decemberists, Howler, Islands, Sufjan Stevens, Warpaint e muitos outros…
Provavelmente você ouve bastante algumas delas, hã?
Caso você queira ver isso que eu contei em forma de documentário, com imagens, musiquinhas e tudo mais, existe o Do it Yourself – The Story of Rough Trade no Youtube, dividido em três partes. Comece por aqui:
Confira uma sessão da gravadora de um dos nomes recentes, Warpaint.
Também oriunda de Londres, coração do rock mundial, Domino Records foi fundada em 1993 por Laurence Bell e Jacqui Rice. Assim como a Rough Trade, Domino teve seus momentos difíceis, no caso, na era do Britpop, porém não tiveram que fechar tudo e voltar a estaca zero. Seguiram gravando novos releases e foram adquirindo credibilidade na cena. Nomes como Franz Ferdinand, Arctic Monkeys e The Kills ajudaram o selo a crescer e ter reconhecimento internacional.

A gravadora tem bases na Alemanha, França e Estados Unidos, o que facilita bastante a alastrar os ~produtos~ deles. Prêmios freqüentes de melhor álbum e melhor single do Reino Unido consolidaram a gravadora independente como uma das mais bem sucedidas no mundo.
Mais bandas produzidas pela DR: Animal Collective, The Count and Sinden, Junior Boys, The Last Shadow Puppets, Panda Bear, Pavement, Wild Beasts…
Dá uma olhada em um dos TESOUROS da gravadora:
Fundada em 1986 em Seattle, USA, entre a fundação das outras duas gravadoras citadas anteriormente, a Sub Pop é reconhecida UNIVERSALMENTE por ter lançado Nirvana e Soundgarden. Tudo começou como uma simples revista local, em Olympia, Washington, de rock alternativo, chamada Subterranean Pop. Tá certo que o nome não durou muito tempo, na segunda edição já se chamava Sub Pop.
Lá pelas tantas, Bruce Pavitt, fundador da SP, resolveu mesclar suas mag’s com fitas K-7 de bandas indies locais tocando suas canções, ou seja, um mês revista, outro mês fita. No total foram seis revistas e três fitas. Após isso, Pavitt viu que o que dava mais grana eram as K-7 e largou a ideia da fanzine. Tudo seria lindo se ele realmente tivesse lucrado com isso, mas o esquema não deu tanto retorno e a casa caiu. Inclusive teve uma época que a Sub Pop era simplesmente uma coluna no The Rocket, uma revista de Seattle. Russa a situação.
Mas lá em 1986, ano da fundação do selo, Pavitt resolveu se mudar para a capital do estado, Seattle e começou a trabalhar pesado. Lançou um EP da Sub Pop, o que era uma compilação com várias bandas, inclusive uma delas era Sonic Youth e o negócio foi crescendo. Neste mesmo ano que Pavitt conheceu seu parceiro Jonathan Poneman e criaram a Sub Pop Records (versão gravadora).

Desde então, rolaram umas tretas, galera dizendo que eles se venderam e bla bla bla, coisas de indies. Porém, contornando isso tudo com boas idéias e muito trabalho, o selo lançou e lança várias bandas sensacionais até hoje.
Tão querendo os exemplos, né? Olha aí: Soundgarden, Screaming Life, Fleet Foxes, Dinosaur Jr., Foals, Beach House, The Postal Service, Flight of the Conchords, No Age, Wolf Parade, The Shins e por aí vai…
Lindo, não? Olha um dos cases de sucesso meu preferido da Sub Pop aí:
Voltando ao UK. XL Recordings é mais uma das gravadoras independentes que resolvi citar e também é de London. A diferença é que esta começou (em 1989) querendo atender o público de música eletrônica. Produzindo coisas nessa linha dance/rave, o selo em pouco tempo ganhou mais credibilidade do que a Citybeat, outra gravadora que focava nesse gênero nessa época.
O tempo foi passando e o selo resolveu entrar em outros mercados também, como o rock ~alternativo~, freak folk, hip hop e etc…se deram bem na empreitada.
01 curiosidade: Thom Yorke lançou seu primeiro disco solo com a XL Recordings, trabalho este que não atingiu grandes escalas na mídia, mas, financeiramente, foi um dos que mais gerou grana pra gravadora. Nenhum sentido. Este é o fenômeno Yorke.
XL é mais uma do grupo seleto Beggars Group, empresa que distribui diversos selos, dentro deles alguns que citei ali em cima: 4AD, Rough Trade Records, Matador Records, além da XL Recordings…
Dê uma olhada na ~carta de clientes~: The Prodigy, Lemon Jelly, Devendra Banhart, Basement Jaxx, The White Stripes, Peaches, Dizzee Rascal, M.I.A., Ratatat, Jack Penate, Friendly Fires, Adele, Tapes ‘n Tapes, Cajun Dance Party, Be Your Own Pet, Vampire Weekend, RJD2 e daí em diante.
Olha o que sai de lá:
Então, doutores. Isso é um início de estudos para você sacar um pouco do que acontece por trás das músicas bonitinhas que chegam via download ao seu pc, iPod e etc. Acho que é super válido a gente ter consciência da história das gravações e da evolução delas. Nem sempre os equipamentos nas gravadoras eram super avançados e cheios de recursos para ajustar uma canção. Acredito que este seja um ponto a levar em consideração quando se ouvir discos mais antigos.
É claro que existem muitas outras gravadoras independentes por aí, peguei as principais que geram conteúdo pro Lizt, ao meu ver, para introduzir o assunto. A parada de MÚSICA independente começa bem mais lá atrás, 1950, com Chess Records, Imperial, Sun Records, Motown, mas o foco aqui é outro. Espero que tenha servido para alguma coisa esse trabalho de pesquisa e produção textual para você sair da bolha, caso estivesse numa.
Outro assunto a se comentar, é o termo INDIE, que nessa época do BOOM dos selos, era simplesmente uma abreviação de independente, ou seja, saíam do meio Universal e derivadas. Atualmente DENEGRIRAM esta palavra e se tornou até gênero musical. Este é definitivamente um assunto muito polêmico.
Sugestões, reclamações e elogios sobre o que foi dito aqui, por favor, o façam.
C ya!
Ulysses Marins
Um cara que resolveu tornar o hobby de apresentar bandas para seus amigos mais próximos num blog. Profissional de tecnologia para se alimentar e, nas horas livres, escritor de histórias e posts que só eu leio. Para maiores besteiras, atendo no Twitter por @ulyssesmarins


