O Instituto Internacional de Pesquisa Lizt volta com mais uma matéria investigativa embasada em fatos reais, dados estatísticos e censo popular. Já lhe explicamos de onde vem o hipster, o mistério do termo boy magia e agora vamos atrás da origem deste ser que habita as redes sociais, os shows e muitas vezes a sua roda de amigos: O FÃ CHATO.

Como somos um blog de música, focaremos nos fãs chatos das bandas, mas não esqueçam que eles existem nas mais variadas vertentes das artes: cinema, literatura, fotografia, moda e etc.
Para este indivíduo, tudo que existe no universo é oriundo do seu ídolo e todos deveriam ter noção disso. Podemos começar com os famigerados BEATLEMANÍACOS.
Não basta achar o Beatles um ótima banda, saber cantar as canções, comprar todos os vinis/cds/dvds/whatever, NÃO, QUERIDOS LEITORES. Eles precisam entrar em ferrenhas discussões referentes a origem do rock, sobre o quão influentes eles são na sociedade contemporânea, tentam até te convencer que você não estaria no mundo se não fosse as músicas dos britânicos. Estou mentindo? Todo mundo tem um amigo assim.
Porém, este primeiro caso é o menos pior de todos, pois muitas vezes até argumentam com alguma razão, mas sempre sem necessidade alguma. Todos sabemos que essas discussões não levam a lugar nenhum, portanto trate de evita-las quando se depararem com este tipo de fã.
Voltamos algum tempo atrás, na modinha que ao que parece está acabando, dos coloridos do RESTART. Caso você se depare com algum fã desta corrente satânica, saia correndo se não quiserem ouvir um E HOJE SEI, SEI, SEI NÃO IMPORTA MAIS UHUL RESTARTEMM. Normalmente esta crew é composta por jovens de (espero) até 16 anos que estão começando a tomar gosto pela música (que bela iniciação).
Não os julgo tanto porque todos nós, no início, ouvíamos alguma coisa não muito elaborada, tipo um CPM22 ou algo parecido. O que me preocupa é que, no mínimo, a gente tentava salientar a qualidade instrumental da banda e/ou tinha outros ídolos um pouco melhores, tecnicamente falando, para comparar, MAS essa galerinha dos tênis coloridos não tem saída. O surgimento de bandas no estilo Restart foi absurdo e o pessoal começou a variar os grupos mas não variar o gênero tosco do HAPPY ROCK (é assim que os “artistas” DAS CORES autodenominam seu som).
A gente só vai poder ver o reflexo desse lixo sonoro nos próximos anos, quando os ouvintes adolescentes de hoje crescerem. Esperem pelo pior. S2 S2 S2 S2

Existem os metaleiros que sempre acharão que nenhuma banda vai ser igual ao Iron Maiden. Mesmo que você esteja ouvindo Cícero Lins ou Enya o comentário se repetirá. Este último sofre de uma alienação um pouco mais acentuada do que a dos outros tipos de fã e tende a ser mais agressivo com as palavras caso o assunto música role em alguma conversa. Aqui não há a necessidade de compreensão de outros gêneros musicais, pra eles só existe o bom e pesado HEAVY METAL .
Caminhando para o lado mais alternativo da coisa chegamos a uma parcela do nosso público, OS INDIES/HIPSTERS. Estes são sensacionais. O culto pela exclusividade transcende as leis do bom senso.

Não existe a possibilidade de alguém no seu círculo social ouvir a mesma banda que está rolando no iPod/mp3 player deste tipo de fã. Além disso, eles tem o poder insuperável de conhecer TODAS AS BANDAS DO UNIVERSO, porém se limitam a um “SIM”, quando questionados sobre a existência de um grupo. Na próxima vez que encontrar um destes, peça para ele dissertar sobre uma banda que você recém tenha perguntando e observe o resultado. Muito fiz isso com o pessoal de uma das casas noturnas que frequento, é cheio desses. Apesar desse comportamento bizarro de não permitir a popularização dos artistas preferidos, o hipster gosta de muita coisa boa, é um caso a parte.
Agora coloquem suas barbas de molho, falarei dos fãs considerados internacionalmente os mais chatos de todos, atentem.
Os fãs da banda carioca Los Hermanos me deprimem só no olhar. É um hipster piorado, o sem argumentos, o totalmente passional e incoerente, que aprecia e coloca no altar melodias pobres (não vou dizer ruins, mas não é nada elogiável, definitivamente), meia dúzia de acordes, letras que não são melhores do que a poesia de um aluno de letras do primeiro semestre de qualquer universidade. Tudo bem, eles podem ser assim, afinal nem todo mundo nasce ou desenvolve um talento considerável pra música (meu caso), mas não defendam eles como uma boa banda, por favor.
A rotina do fã de Loser Hermanos é citar nas redes sociais estas composições e reclamar da vida. Em dias de show da banda, ficam em polvorosa e acham tudo lindo, depois voltam ao normal, dizendo que está tudo errado e que queriam de volta a apresentação dos rapazes. Muitos destes entram também no grupo de pessoas que acham que o Kraftwerk é formado por DJs (vide Terra).
Eles costumam defender a idéia de que a banda não precisa ser ótima tecnicamente ou ter letras geniais, “às vezes a gente só gosta e deu”. Eu, particularmente não entendo, nunca gostei de algo “porque gostei, sei lá”. Mas respeito, isso é só um desabafo.
Enfim, agora que já arranjei uma série de incomodações com diversas ~tribos~, vou ao que realmente interessa.
Por que um comportamento que deveria ser normal no ser humano, o poder da crítica, de ouvir atentamente alguma coisa, absorver e depois opinar se tornou algo tão raro? Pessoas alienadas por todas as partes simplesmente não toleram a oportunidade de ouvir algo novo, algo diferente. “Ah, eu não gosto disso”, MAS TU NUNCA OUVIU, TCHÊ. É como não gostar de escargot sem nunca ter experimentado (óbvio que eu nunca comi escargot, mas também nunca disse que não curtia).
É por isso que participamos de shows, peças, filmes independentes e etc sem público, as pessoas não se interessam em ir atrás de qualidade e sim defender os próprios interesses que se originaram em algum momento totalmente infeliz da vida, no caso do Los Hermanos, e vivem neste egoísmo cultural, saciando apenas sua santa ignorância e defendendo com unhas e dentes o medíocre.
Acho melhor parar por aqui antes que comece a virar um fã chato da cultura alternativa e contemporânea. Só peço que usem toda esta energia canalizada em MIMIMIs em algo produtivo e em apoio aos outros artistas e bandas.
Ulysses Marins
Um cara que resolveu tornar o hobby de apresentar bandas para seus amigos mais próximos num blog. Profissional de tecnologia para se alimentar e, nas horas livres, escritor de histórias e posts que só eu leio. Para maiores besteiras, atendo no Twitter por @ulyssesmarins



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