Imagina um cara que transpira serenidade, que curte muito o que faz e pilhou dar uma banda pelo Brasil com seu projeto mais recente, depois de fazer um show ~comercial~ (Lolla).

Foto por: Daniel Andres
Uma breve introdução ao rapaz: Kyp Malone é um americano que compõe loucamente, trabalha em 3 projetos diferentes (TV on the Radio, Iran e Rain Machine. Trouxe este último a Porto Alegre), canta e toca demais, mesmo.
Da passagem de som ao encerramento do show, Kyp se mostrou um cara tranquilo, queridão e talentoso demais. Dono de uma voz muito peculiar (no melhor sentido da palavra), unia isso a sua guitarra cheia de feeling, ao baixo do seu companheiro Grey Gersten e a bateria de Sérgio (rapaz brasileiro que está suportando a banda).
A proposta do Rain Machine não é fazer você pular serelepe durante o show, não é fazer você perder kilos dançando. Não. Mas sim um lance intimista, melodias doces – algumas nem tanto – e letras reflexivas. Um show pra você apreciar com olhos e ouvidos, sentindo toda a energia que o cara passa. E foi o que aconteceu, de fato. Todo mundo com os olhos bem atentos a cada nota, a cada verso genial. Foi realmente foda.

Foto por: Daniel Andres
Salientei a simpatia dele no início do post em função do alto teor de queridez do mesmo antes, durante e depois da apresentação. Disposto a conversar com todo mundo que o procurasse, interagindo com o público a cada canção, agradecendo em português e mandando um “tudo bem?”, Malone encheu corações de sentimentos bons e ganhou a graça da galera.
A maioria das músicas apresentadas são do cd homônimo do Rain Machine, ao que notei, rolou apenas uma canção do TV on the Radio, a belíssima Keep Your Heart.
Tudo isso durou mais ou menos uma hora, se o álcool não me engana. Depois do show eu fiz algumas perguntinhas não óbvias para o Gary e para o Kyp, dêem uma olhada.
Kyp, você poderia falar um pouco sobre a criação do Rain Machine. De onde surgiu a idéia deste projeto?
Cara, simplesmente fui criando alguns sons, tocando os mesmos ao vivo e quando vi estava lá. E isso faz muito tempo…
Mas o Rain Machine é de 2009, não?
Não, antes disso, eu estava tocando muitas das músicas em shows, mas o cd realmente foi em 2009. Mas não foi tipo, uma decisão, fui criando as músicas e rolou. Quando você toca em mais de uma banda você compõe sem pensar pra qual grupo irá a música, só compõe. Algumas pessoas são assim, vão lá e fazem um som pensando em tal banda, mas eu não.
Você compunha pra você?
Não pra mim, não sei pra quem era, não existe um alvo a ser atingido. Mas lhe digo que compor é uma coisa muito saudável. É a coisa mais saudável que eu faço.
Como você e Gary começaram a tocar juntos como Rain Machine? Vocês ja eram amigos?
Nós tinhamos alguns amigos em comum e acabamos descobrindo um interesse mútuo. Um amigo nosso fez uma tour para nós e começamos a tocar juntos.
Existe um plano para o Rain Machine daqui pra frente?
Sim, estamos gravando inclusive, talvez em alguns meses já esteja pronto. E eu espero que possa tocar aqui estas novas canções, eu realmente espero voltar aqui.
O que você esperava do Brasil antes de vir para o Lollapalooza?
Eu já estive aqui uma vez, no Rio e em São Paulo, no TIM Festival, em 2007 eu acho. Eu realmente gostei daqui quando vim pela primeira vez.
Com o TV on the Radio você toca em grandes festivais na Europa, nos EUA e pelo mundo todo. O que você achou da estrutura apresentada aqui para o Lollapalooza? E o que você sentiu ao tocar no festival?
Eu acho que estava muito bem organizado, todo mundo na nossa volta estava dizendo que estava realmente muito bem organizado. Quanto a apresentação achei divertida, muito divertida, as pessoas se movendo com a música. É muito excitante ver as pessoas dançando com suas músicas.
To sabendo que você tocou na Argentina também com o TV on the Radio. Por aqui existe a lenda de que lá a galera é bem mais animada. Confere?
Eu não gosto muito de fazer comparações, mas o público do Brasil é muito legal.
BRASIL WINS.
Espero que vocês tenham gostado, caso queiram ver mais algumas fotos do show (vocês vão querer), saca aqui. Prometemos semana passada que na próxima teríamos um fotógrafo, só não esperávamos que fosse tão bom assim. As fotos ficaram demais. Palmas a Daniel Andres!

Ulysses Marins
Um cara que resolveu tornar o hobby de apresentar bandas para seus amigos mais próximos num blog. Profissional de tecnologia para se alimentar e, nas horas livres, escritor de histórias e posts que só eu leio. Para maiores besteiras, atendo no Twitter por @ulyssesmarins


