A tradução não está correta, está bem errada, até por não se tratar de uma tradução, mas neste post falaremos sobre um dos maiores problemas da atualidade, as manic pixie dream girls. Quem são? Do que se alimentam? De quem enchem o saco? Tudo isso hoje, e amanha, e enquanto o post estiver no ar.
O termo não é muito conhecido aqui no Brasil, em países nativos de língua inglesa ele é bastante comum, mas ele trata de algo que encontramos em inúmeras obras que andamos consumindo.
O crítico de cinema Nathan Rabin cunhou este sensacional termo em 2005, no meio de uma crítica para o filme Elizabethtown – que tem Kirsten Dunst e Orlando Bloom no elenco. Ele resumiu uma manic pixie dream girl assim: “that bubbly, shallow cinematic creature that exists solely in the fevered imaginations of sensitive writer-directors to teach broodingly soulful young men to embrace life and its infinite mysteries and adventures”.
Isso pode ser traduzido para quase isso: ”aquela borbulhante e superficial criatura cinematográfica, existente somente na imaginação febril de sensíveis roteiristas e diretores, que vive para ensinar jovens homens a abraçar a vida e seus mistérios e aventuras infinitas”.
O termo define as personagens femininas que são criadas para ajudar os homens a perseguirem a sua felicidade, essas personagens nunca crescem, são crianças sonhadoras vivendo na pele de adultos e os homens, abobados como são, caem de amores por elas. Ao menos em filmes.
Essa definição criada por Rabin cai perfeitamente em uma categoria gigantesca de personagens que viveram em alguns dos seus filmes e séries favoritos e você nem deve ter percebido. Mais do que isso, muitos caras devem ser apaixonadinhos por essas meninas e ficam sonhando em achar uma assim. E ainda mais do que isso, muitas meninas imitam essas personagens e viram crianças gigantes.
Isso é terrível. Geralmente essas menininhas loucas e sonhadoras que apreciam a vida e os momentos como ninguém vivem em um mundo onde somente elas, e os sonhos delas, existem. Elas andam por aí, aspirando se tornarem a Summer (500 Days of Summer) ou querendo muito ter o poder da Charlie (High Fidelity) com os homens.
Na verdade o que elas querem é parecerem com as queridinhas e meigas mulheres desses filmes, e ao mesmo tempo serem as mandantes de todo e qualquer relacionamento que tenham. Elas querem mandar em 12 boy magia aparentando ser as meiguinhas e queridinhas mulheres nas quais se espelham.
O pior é que são meninas mimadas e cheias de mimimi que vivem no mundo chamado ~comum~. O problema é que graças a elas aparecerem em dezenas das coisas que consumimos, nós acabamos curtindo o esteriótipo e, em um primeiro momento, caindo nesse terrível feitiço dessas meninas-duende.
Agora vamos citar, ou acusar, vários aparecimentos de manic pixie dream girls em muitas e muitas obras e filmes que devem estar na sua lista de preferidos.
Filmes:
Zooey Deschanel como Summer em 500 Days of Summer
Zooey Deschanel (de novo) como Allison em Yes Man
Diane Keaton como Annie Hall em Annie Hall
Natalie Portman como Sam em Garden State
Audrey Hepburn como Holly Golightly Breakfast at Tiffany’s
Kirsten Dunst como Claire Colburn em Elizabethtown
Séries:
Zooey Deschanel (mais uma vez) como Jess New Girl
Anna Friel como Chuck em Pushing Daisies
Livros:
Charlie de High Fidelity – Nick Hornby
Sam de The Perks of Being a Wallflower - Stephen Chbosky
Jordana de Submarine - Joe Dunthorne
Ramona Flowers de Scott Pilgrim – Bryan Lee O’malley
Enfim. Existem dezenas de exemplos onde essa categoria de personagem aparece. Listar todos seria chato e entediante.
Gostaria de atentar para essa série da Zooey Deschanel, New Girl. Até assistir essa série eu gostava da garota, achava que ela fazia bons papeis, ela canta moderadamente bem no She & Him e é extremamente bonitinha com seu cabelo negro e seus cativantes olhos azuis, depois tudo mudou.
Zooey faz o mesmo papel de sempre na série, só que pior. Ela faz o papel do um nerd-kidult-abobado no corpo de uma mulher bonita e que tem dificuldades para pegar qualquer pessoa que seja. Tanto que a própria atriz definiu a personagem que incorpora como um ser ‘adorkable’ – adorable + dork. Porra, assim não dá.
A série não tem profundidade alguma e não passa de um dramalhão chato, uma Malhação feita em solo americano onde uma manic pixie dream girl extremamente besta vai morar com uns caras. Enquanto poderia se fazer um relato e um contraponto interessante de como os jovens americanos estão se virando para atravessar essa crise econômica, a série decide ignorar todo panorama social. Aí fode.
Pronto, passou a raivinha.
Acredito que essa da manic pixie cream girl seja uma variável constante -rsrsrs – nessas obras para um público indie. Muitas dessas menininhas já hyparam bandas, como a Sam de Garden State ao pedir e insistir para que o rapazote ouvisse uma música do The Shins, antes daquilo a banda era uma semi-desconhecida, foi uma menina dessas que os tornou conhecido.
The Shins – New Slang
Esse categoria de personagens causa fascinação, mas por que? Bom, são personagens que carregam os sonhos da obra com a qual estamos nos envolvendo no momento. Esses sonhos podem ser qualquer coisa.
75 anos de manic pixie dream girls
Ah, em nenhum momento estou falando que as obras citadas no post não tem qualidade ou algo do gênero, estou me referindo ao esteriótipo que todas tem em comum e como isso reflete na população que habita o planeta Terra.
Você pode notar que dificilmente essas menininhas loucas tem um objetivo, um desejo maior, elas são completamente ok com a vida que vivem, com a vida que levam. Elas vivem conforme o mantra de Zeca Pagodinho, elas deixam a vida levá-las.
Zeca Pagodinho – Deixa a vida me levar
Penso que deve ser isso que atrai o público para essas obras, essa coisa do parecer, não do ser. Todo mundo consegue parecer sonhador, mesmo que não tenha sonhos. Ser sonhador te deixa livre e leve, te ajuda a ‘ser quem você é’ – o que, hoje em dia, quer dizer que você faz coisas ridículas e não se importa com isso.
No final das contas você descobre que a mina é uma manic pixie dream girl e corre dela, isso traz sofrimento para a garota e acaba afundando ela em profundas e úmidas audições de Smiths – o que não é ruim, mas faz as meninas ficarem ainda mais maníacas por esse comportamento, elas começam a ser vítima do esteriótipo que estão incorporando, após isso não existe volta.
E pra terminar [1] um curta bem bacana sobre essa categoria de personagens e pessoas:
State Home For Manic Pixie Dream Girls
E pra terminar [2] um guia para se tornar uma manic pixie dream girl, vai que alguma de vocês queira.
1 - Learn to think about life in an interesting and unique way. Typically, it is a manic pixie dream girl’s attitude towards life that makes her so appealing. According to TvTropes, she “lives freely and loves madly”. A manic pixie dream girl is like a ray of sunshine into the otherwise drab world. Live every day to the fullest and always live in the moment. Be anything but ordinary.
2 - Be friendly, kind, and a little bit flirtatious. Manic pixie dream girls aren’t typically rude. They’re lovable and generally have magnetic personalities.
3 - Spontaneity is especially important when being a manic pixie dream girl. Whether it be giving free hugs or singing random songs, you have to be ready to have adventures. Don’t plan everything and just let things happen as they happen. If you want to do something, just do it, take no consideration for any after effects that may come to be.
4 - Try not to be easily embarrassed. Go after everything with reckless abandon and do not care about what others think. Chances are, people will judge you because you’re different than most people, but don’t let yourself be bothered by it. As long as you’re happy with what you’re doing, that’s all that matters.
5 - Be mysterious, enigmatic, unpredictable, whatever you want to call it. You want to be compelling and make others wonder and want to know more about you. People will most likely not be able to fully understand you, but that’s part of the fun of being a manic pixie dream girl.
roubamos o guia daqui.



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